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Track by Track: For Crying Out Loud por Sergio Pizzorno

For Crying Out Loud é o sexto álbum de estúdio do Kasabian depois de seu debut auto-intitulado, Empire, West Ryder Pauper Lunatic Asylum, Velociraptor e 48:13. O guitarrista e compositor Sergio Pizzorno se encontrou com John Kennedy, da Radio X – o homem mais confiável da música – para falar sobre o álbum inteiro, faixa por faixa. Depois de um ano de performances do álbum 48:13, o novo álbum foi escrito e gravado em rápidas seis semanas, com Sergio deixando de lado seu sintetizador e loop habituais para se dedicar a criar algo usando somente guitarras e piano. O resultado final traz influências tão diversas como Fleetwood Mac, George Harrison, Daft Punk e Chic. Aqui está o que Sergio disse sobre as canções:

ILL RAY (THE KING)
Serge: “Eu não acho que esta música pareça com alguma coisa existente. Só poderia ser a gente. Amo o entretenimento de chamar bandas, como no hip hop. Há um verso: ‘qual o nome da sua banda, cara?’ (What’s your band called, mate?) Se eu toco pro meu amigo uma nova música, sempre sussurro isto em seu ouvido. Faz ele rir. Ele diz, você tem que usar isso, cara. Você sabe que Kendrick Lamar usou esse verso em Control, onde ele chama os outros rappers? Há algo legal sobre bandas que fazem isto, acho engraçado.”

YOU’RE IN LOVE WITH A PSYCHO
Serge: “Psycho é somente uma palavra que usamos. É quando você diz que estará em casa às 3h da manhã, promete, e então você volta na quarta-feira e ela vira uma ‘psycho’ {psicótica} com você. Os versos são a história deste homem e desta mulher e o mundo em que eles vivem. Você os ama como eles são, não há nada que você pode fazer sobre isso. Esta música tem um ritmo irresistível – se tocar em uma boate, depois de Timberlake ou algo assim, estaremos na mesma vibe.”

TWENTYFOURSEVEN
Serge: “Essa é sobre lidar com o bombardeio de informações e como realmente não dá para escapar. Tive um negócio no meu celular que começou a me relatar notícias e tive que desligá-lo. Eu fiquei tipo, me deixa em paz. Não tem como escapar, entende o que eu digo? Faz tudo parecer muito pior do que realmente é. É louco.”

GOOD FIGHT
Serge: “Essa é uma música alegre. É necessário se sentir vivo, com um monte de gente em uma sala, pegando o objeto mais próximo e batendo garrafas e cantando. Não importa quão bom você é, apenas dê tudo de si. Uma música como L.S.F. faz o mesmo tipo de coisa mas é um som muito eletrônico, isto é sobre estar todo mundo junto e extravasar.”

WASTED
Serge: “Esta música é sobre estar em turnê e sentir falta de alguém. Originalmente era um pouco mais lenta e tinha um pouco de Mamas And Papas, Fleetwood Mac, até uma coisa meio Supertramp rolando. Uma manhã eu escutei e pensei, está muito lento. Então aceleramos até uns 5 ou 6 bpm, escutamos um pouco de Chic e pegamos um pouco de Bernard [Edwards] no baixo. No fim, há uma vibe house pura, como Air… ou Daft Punk.”

COMEBACK KID
Serge: “Essa é sobre Leicester – vindo de uma cidade de East Midlands, sempre nos sentimos como intrusos. Mas Leicester é sobre o que quero cantar, é o que eu sou. O verso “sasquatch in a bin bag” é sobre o cara que faz bullying quando você está crescendo, o tipo que lançaria dardos em você no playground. É sobre voltar, bater na porta dele e dizer ‘tudo bem, cara?’ e cortá-lo em pedaços e colocá-lo em um saco de lixo! Vindo de Leicester, há sempre um lado escuro! Mas esta faixa é tão eufórica, te faz ter vontade de subir uma escada correndo, como em um filme de Rocky.”

THE PARTY NEVER ENDS
Serge: “O som de trompete nesta faixa, é um velho sintetizador Yamaha. É uma pequena arma secreta. Tem um pouco de Rihanna nisso, aquela linha de melodia. É o tipo de coisa de David Lynch, dirigindo por estradas em LA, sem saber onde você está indo e terminando em lugares malucos. A letra tem um elemento do que é estar em turnê – quando essa festa vai acabar?”

ARE YOU LOOKING FOR ACTION?
Serge: “Essa é a Parte 2, onde você vira o álbum e pensa, que mundo é esse? Originalmente a ideia para o álbum era que nenhuma música tivesse mais de quatro minutos, uma coisa meio Motown: verso-ponte-refrão. Sem gordura em lugar nenhum. Então sai de férias e pensei nããão… eu meio que rascunhei ela toda. Originalmente o saxofone foi colocado como uma brincadeira e aquele pobre homem ficou lá por um bom tempo, todos estávamos dançando enquanto ele fazia uma tomada de 30 minutos. Nos fez rir e pensei, se te faz rir, deve continuar. Uma boa música deve ter um pouco de humor – ‘Eles não fizeram isso, fizeram?'”

ALL THROUGH THE NIGHT
Serge: “Essa tem somente o violão e o serrote*, que é tão belo. É uma coisa incrível ver alguém tocar com um serrote. É inacreditável. É tão difícil de tocar. É como uma espécie de UFO dos anos 50, como um filme antigo de ficção científica. É tocado por uma senhora chamada Fay, ela é de Amsterdã. É bem doce, bem George Harrison. É tipo uma daquelas, uma manhã peguei o violão e simplesmente aconteceu.”

*O serrote pode ser usado como instrumento musical. [video]

SIXTEEN BLOCKS
Serge:”Tom é um grande assobiador nessa faixa. Quando costumávamos procurar por samples antigamente, eu sempre quis fazer uma gravação que as pessoas quisessem usar. Deixamos livre para que as pessoas pensassem, posso usar aquele riff. A letra é sobre caminhar por aí – “day-walking” como eu chamo. É quando você nem foi pra cama e você tem um monte de coisas para fazer, aí manda uma mensagem para seus amigos dizendo, ‘Amigos, vou sair por aí.’ É onde você se sente completamente separado do mundo inteiro, mas você está no mundo ao mesmo tempo, é esquisito.”

BLESS THIS ACID HOUSE
Serge: “Esta foi a última música a ser gravada. Você conhece a história de Bruce Springsteen, eles levaram seu álbum para os empresários e eles disseram que era ótimo, mas que precisava de um single nele. E então ele escreveu Dancing In The Dark ou algo assim. Eu sempre gostei da forma direta do Ramones e do Stooges, mas encontrar aqueles três acordes, é tão difícil – eles raramente aparecem. Mas isto foi uma pancada, 15 minutos. Estive na casa de Mike Pickering e ele tinha um pôster que dizia ‘Bless This Acid House’ e anotei isso no meu telefone. Nos anos 70, você ouvia muitas melodias que se referiam ao rock’n’roll dos anos 50, então eu achei que era interessante, me referindo à acid house*, que tem agora 20 e tantos anos. Mas em vez de fazer uma faixa de sintetizadores, pensei que uma música punk se referindo à acid house seria bem legal. Uma pequena reverência.”

*Estilo da música eletrônica.

PUT YOUR LIFE ON IT
Serge: “Há um documentário com John Lennon sobre seu álbum Double Fantasy e como ele queria dizer exatamente como era. Pensei nisso e cheguei à conclusão que eu nunca tinha feito isso. Entendi que eu estava pronto para escrever uma canção de amor. Ela até diz “eu te amo” e pensei que Brian Eno ME MATARIA! Mas eu me casei e é exatamente como me senti e a ideia de apoiar um ao outro, dar tudo de si nisso. Eu queria dizer. E eu disse agora. Então me deixe em paz!”

Áudio: Kasabian – X-Posure with John Kennedy (full interview) 04/05/17

Fonte: radiox.co.uk

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