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Matéria: “Os álbuns que mudaram a minha vida” com Sergio Pizzorno

A Q Magazine publicou em sua edição de março de 2018 uma matéria com os álbuns que influenciaram e fizeram a diferença na vida do guitarrista do Kasabian, Sergio. Pizzorno esteve na loja de discos Sister Ray, Londres, em dezembro do ano passado para selecionar os álbuns que mudaram a vida dele. Confira abaixo os oito discos escolhidos:

Richard D. James Album – Aphex Twin
“Isso é de uma época crescendo em Leicester quando tinha ácido barato, cidra Diamond White, sendo menor de idade indo ao pub, dirigindo por aí o carro do irmão mais velho do seu amigo com alto-falante atrás. Este é o álbum que receberia o tratamento dos alto-falantes que destacam a baixa frequência. As outras crianças estavam na onda de rave e jungle e isso seria pra mim um pouco inesperado naquele mundo para tipo ir e dizer, ‘Sim, mas ouve isso aqui…’ Se apegar em algo como Fingerbib [faixa] e você está lá apenas voando. Eu gostava do mistério que o cercava também, como se você tivesse ouvido que ele morava em um banco antigo e dirigia uma van de segurança.”

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Kid A – Radiohead
“Meu amigo tinha Napster e me disse, ‘Eu consegui o novo álbum do Radiohead’ então eu fui até lá e ele tocou a faixa Everything In Its Right Place e nos quatro dias seguintes eu só ouvi esse som. Eu estava completamente hipnotizado. Ainda soa como nada que eu já tenha ouvido antes. Nessa época, eu estava interessado em Warp e Aphex Twin, então o que eu amava era uma combinação desses dois mundos. Tendo aquelas melodias e os vocais do Thom, mas então tendo algo como Idioteque com todos os glitches [gênero de música eletrônica]. Você sabia que eles não tinham apenas comprado alguns sintetizadores, você poderia dizer que eles tinham um conhecimento profundo desse mundo.”

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Endtroducing – DJ Shadow
“Esse foi quando percebemos o que estar em uma banda poderia ser. Ouvindo e pensando, ‘Imagine se esse cara tivesse produzido o Stones ou o The Who…’ Toda a música que nós já tínhamos feito até aquele momento foi jogada de lado. Eu era um grande amante do hip-hop, mas não conseguia ver como isso se encaixaria, mas quando eu ouvi esse álbum eu fiquei, ‘Nós vamos produzir como um álbum de hip-hop, mas ao invés de procurar por samples [pequenos trechos sonoros recortados de obras ou gravações pontuais para posterior reutilização noutra obra musical], criaremos os nossos. Isso nos salvará do aborrecimento de dirigir em torno de Kettering à procura de lojas de discos antigos para encontrar essas pequenas preciosidades.'”

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Silver Apples – Silver Apples
“Ainda soa como se viesse do futuro. Eu não sei exatamente sobre o que é esse som, mas toque a [primeira faixa] Oscillations e ninguém nunca soou desse jeito, ninguém capturou o futuro desse jeito. É um desses álbuns que, quando você o ouve pela primeira vez muda a maneira como você olha o que pode ser feito. Você está abrindo sua mente, o mundo que você conheceu antes mudou para sempre e você pensa, ‘Porra, o que é isso?! O que podemos fazer agora?’ Também tem essa estranha entrega vocal que é tão bizarra, como The Wicker Man [filme britânico], você poderia imaginar dançarinos de Morris [dança tradicional britânica] nisso.”

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Music Has the Right to Children – Boards of Canada
“Eu estava obcecado por Tangerine Dream, Faust e Amon Düül, mas essa foi uma abordagem moderna e isso foi o que realmente me excitou. Há esta estranha vibe medieval, meio dark e britânica nele. Você toca esse álbum e você é transportado para a zona rural britânica. Nós costumávamos viver em uma fazenda e normalmente levava o tempo do álbum para chegar lá da casa dos meus pais. O barulho desse álbum me faz lembrar as estradas do país com as torres de eletricidade passando. Essas estranhas estruturas futuristas se ajustam nesta bela zona rural, como, tipo, texugos e merdas assim.”

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Fun House – The Stooges
“Como um álbum de rock, não acho que poderia ser melhor. Se você estivesse começando uma banda, eu apenas diria que escutasse e isso explicaria tudo. É tudo o que você precisa saber. Iggy queria que fosse ao vivo, eles não conseguiam gravar as backing tracks [faixas de apoio/acompanhamento] sem ele dançando na frente deles. Você percorrerá um longo caminho para ouvir uma gravação melhor de uma banda em uma sala fazendo um álbum. Eu acho que é inacreditável. Descobri relativamente tarde, foi uma das coisas que me escaparam. É incrível que isso tenha escorregado dos meus dedos, eu fiquei como, ‘Que droga, onde isso estava escondido?'”.

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The Money Store – Death Grips
“Esse barulho é apenas feroz, eu ouço e me aterrorizo. É como o meu punk. Faz todo o resto soar fraco – você deve elevar seu nível quando há pessoas assim por aí. É o que eu toco quando fazemos festivais e tem bandas vindo para tomar um drinque e você tem um pouco de festa acontecendo. Normalmente alguém de uma das bandas aparecerá e perguntará o que é, então você, ‘Certo, você fica’, e então o resto dirá, ‘Desligue essa merda!’ E então você diz, “Ok, caia fora daqui!” Eu amo que eles assustam as pessoas. O caos e a brutalidade disso se conectam comigo.”

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You’re Dead! – Flying Lotus
“Este é um ótimo exemplo de quando você ouve um álbum pela primeira vez e tem uma expectativa do artista, chega ao fim e pensa, ‘Ahhh, não tenho certeza sobre isso… porra, o que ele fez?’ Isso é um medo real com a forma de como a música é consumida hoje em dia, você pode ser desdenhoso. Então eu voltei e na segunda vez que escutei eu fui completamente transportado para este mundo que tinha sido criado, o caos disso combinado com essa precisão. Porque se baseia na improvisação de jazz de forma livre, não há um verdadeiro propósito, eu estava esperando por uma parte com pegada ou qualquer outra coisa, mas não é isso. É uma obra de um gênio.”

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Scans: Arquivo de revistas

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