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Entrevista: Sergio Pizzorno durante sua visita na Polônia para o Open’er Festival 2015

Kasabian tocou no Open’er Festival no dia 04 de julho de 2015.

Paulina Grabska: Quero começar com uma coisa esquisita. Na noite passada, tive um sonho sobre o seu show e você aparecia no palco, transformado em Celine Dion e desaparecia em um buraco no chão…
Sergio Pizzorno: Wow. Se eu fosse psicanalista agora, se eu fosse um analista de sonho, eu diria que você provavelmente tem que ir se internar em algum lugar. Eles lhe darão a ajuda que você precisa, senhora.

Obrigada (risos).
(risos).

Eu estava imaginando se você teve algum sonho que inspirou a sua música ou se alguma vez sonhou sobre uma canção e a gravou?
Sim, sabe, nunca tive um sonho que inspirou uma canção mas posso te dizer, o que acontece muito é que eu acordo com uma melodia na cabeça e canto em um celular. É uma grande vantagem disso [apontando pro meu telefone], ter gravador em todo lugar. Na maior parte do tempo as melodias são horríveis porque não estou com ele… Obviamente quando faço isso, tenho a chave para a melhor melodia já escrita e quando escuto, é só um cara resmungando, portanto é realmente terrível mas sim, eu acordo muito com uma melodia na cabeça. Acho que depois de uma boa noite de sono é fácil escrever letras de manhã porque é como se seu cérebro tivesse a possibilidade de [faz um som de explosão], você pode descansá-lo e tudo sai fácil.

Você compôs a trilha sonora do filme “London Boulevard”. Acho que alguns fãs de Kasabian podem até não saber sobre isto. Como você entrou nessa de composição para filmes? Você se lembra do momento em que decidiu que estava pronto para isto?
Estive querendo fazer isso por séculos, sabe? Sempre foi uma enorme influência. Estou sempre pronto. Eu sempre tentava fazer os álbuns parecerem trilhas sonoras. Você faz as canções mas a melodia está lá, você meio que quer criar uma viagem, uma atmosfera. É uma coisa natural. Eu olhava pro Bill [William Monahan] que dirigiu o filme, o escreveu… Ele é maravilhoso, uma das pessoas mais incríveis de se trabalhar. Porque Hollywood é estranha. É muito cruel. Mas ele me protegeu durante todo o tempo e vamos em frente.

É ótimo ter alguém assim. Imaginei que você fosse fã de filmes porque você batizou um de seus filhos de Ennio.
Sim (risos), é por causa do Ennio [Morricone].

Você também trabalhou com o Noel Fielding em várias ocasiões. Como vocês se juntaram?
Nós tocamos no Isle of Wight, o festival, e ele estava lá. Meio que começamos a conversar e nunca deixamos um a outro desde aquele momento. Algumas pessoas você só… Eu sempre pensava que nos entenderíamos e logo viramos melhores amigos. Ele é o David Bowie da nossa geração. É interessante, não há ninguém assim. Costumava ser cheio de gente incrível assim e agora não, o que o faz ainda mais especial. Nós terminamos outro álbum do Loose Tapestries que iremos lançar. Ele é engraçado pra caralho. É tão esquisito. É ótimo, claro, digo – tão engraçado, tão esquisito.

Qual o primeiro filme que você viu em um cinema, você lembra?
Essa é uma boa pergunta! “Indiana Jones” [pausa longa]… Talvez não? “De Volta Para o Futuro” talvez. Merda, tenho que descobrir isso. Digamos: depende de que ano eles são, quem veio primeiro: “De Volta Para o Futuro” ou “Indiana Jones”? Digamos… Porra, não sei. Eu lembro de assistir “De Volta Para o Futuro 3” com meu pai. Foi a primeira vez que assisti. Lembro que ele dormiu. Ele costumava dormir quando me levava ao cinema. Nunca assistia até o fim. Quando eu era criança, nunca entendia por que, eu ficava “como ele consegue, isso é incrível” e agora quando levo os meus filhos para assistir um filme sou eu que durmo (risos).

O que você viu com eles ultimamente?
“Detona Ralph”… Amo esse filme, mas dormi, e “As Aventuras de Paddington”.

Quem você diria que foram os mais importantes ou mais influentes diretores ou compositores para você?
Obviamente Sergio Leone por causa do que Morricone fez, e o poder quando você combina o diretor e o compositor assim. É semelhante com “Star Wars” e John Williams. Danny Elfman também, a trilha sonora de “Edward Mãos-de-Tesoura” é absolutamente inspiradora e “Batman”, essas épocas. Eu gosto de outros compositores. Eu sempre gostava da música e da melodia. Acho que o problema com compositores modernos é que eles são poderosos e grandes mas não há nenhuma melodia e eu sempre fico “aaaaaah”: Eu gosto da melodia de “Missão Impossível” e obviamente a melodia de filmes do “Bond”, eu gosto de “Indiana Jones”, “Superman”, aquelas que você pode cantar.

Qual é a trilha sonora dos sonhos que você gostaria de compor?
Um sonho seria obviamente um filme do Tarantino mas ele não faz isso. Ele usou Morricone e deu um ótimo resultado, o que é hilário. Seria obviamente um sonho, mas há um diretor chamado Shane Meadows – se isto acontecer alguma vez, eu faria alegremente uma trilha sonora completa para ele.

Estivemos falando sobre filmes mas há também grandes atrações de TV britânicas. Quais são os seus favoritos?
Obviamente “Luxury Comedy”. Há uma antiga chamada “Spaced” que é ótima, Simon Pegg é muito direto. Vale a pena assistir. Tem uma sátira política chamada “The Thick Of It” que é ótima também. “Stewart Lee’s Comedy Vehicle” que é um show de stand-up mas na tv. Ele é uma pessoa genial. Ele é o melhor.

Espero que tenha no Netflix. Muito obrigada pela entrevista!
Eu que agradeço!

Fonte: stopklatka.pl / Foto: Z.Sosnowska / AlterArt

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